Relato da aula do dia 06/10.
A professora entregou um teste para nos auxiliar a descobrirmos com qual corrente nos identificamos mais. A professora fez algumas considerações sobre a apresentação do Luí e do Tiago sobre Wallon, comentou sobre os vídeos que foram bem ilustrativos e que deve ter dado muito trabalho achar todos eles. A sorteada para ler seu diário de bordo foi a Maria Beatriz. Thiago Melo, motivado pela aula passada, investigou mais sobre o termo construtivismo radical.
A professora nos contou uma experiência sobre análise transacional, quando no início de sua carreira docente uma aluna lhe perguntou sobre análise transacional e a professora nunca tinha ouvido falar disso, reconheceu que não sabia e que na próxima aula ia trazer. Fica a dica para nós também, se ocorrer uma situação semelhante, que saibamos reconhecer que desconhecemos o assunto e trazer na próxima aula.
Tiago leu o glossário de Wallon, por sinal bem completo, com vários termos. Foram lidas algumas definições, como pessoa, disciplinas mentais, impulsivo-emocional e inteligência. Pedi para ler a definição de inteligência pois iríamos falar sobre inteligência na nossa apresentação. Wallon considera aspectos biológicos e sociais, já Gardner foca mais em aspectos biológicos.
Ulises e Lúcio apresentaram seu plano de aula sobre métodos e tempos. Carla é que havia pegado o plano de aula deles, ela fez alguns comentários sobre e disse que achou bem interessante. Foi um plano baseado em Ausubel. Ulises e Lúcio trouxeram dois tabuleiros de métodos e tempos e Carla e Maria Beatriz participaram da dinâmica.
A professora nos mostrou um vídeo sobre disciplina mental, no qual as crianças ficavam diante de um marshmallow e eram instruídas que se esperassem e não comessem esse marshmallow iriam ganhar outro. Achei uma outra versão deste teste, muito interessante, na qual a criança fica diante de um notebook ligado e um prato com marshmallows, a criança só poderá comer os marshmallows se ficar um tempo sem mexer no notebook. Incrível como algumas das crianças se mostram agoniadas por não poderem mexer no notebook!
Depois a outra parte da aula confesso que não estava prestando muita atenção pois estava ansiosa para apresentar. Mas, vou relatar o que eu lembro. A professora relembrou o que já havíamos discutido sobre o cognitivismo, como o cuidado das generalizações em pesquisas qualitativas. Comentou sobre a escola, que numa visão cognitivista deve promover a autonomia do aluno e valorizar sua criatividade. Além disso, analisar o indivíduo, como o aluno conhece, como ele faz as coisas. O conteúdo representa um forte influenciador do processo de aprendizagem. Novos dados serão assimilados e armazenados na razão direta da qualidade da Estrutura Cognitiva prévia do aprendiz. Esse processo de associação de informações inter-relacionadas denomina-se Aprendizagem Significativa. A professora ressaltou que não podemos afirmar que todo construtivista é cognitivista, por exemplo, Paulo Freire, que é humanista. A teoria cognitivista enfatiza a cognição, o ato de conhecer, como o ser humano conhece o mundo.
Pausa para o lanche, cucas deliciosas e patês saborosos. Depois, eu e a Mayara iniciamos nossa apresentação sobre Howard Gardner e a teoria das Inteligências Múltiplas. Percepções pessoais: achei muito legal fazer dupla com a Mayara e afirmo que realmente foi um trabalho em equipe. Começamos com a história da garotinha Melissa, de 8 anos, que fez um teste de QI e seu resultado foi insatisfatório, sendo taxada como burra, para afastar sua tristeza e decepção ela foi tocar seu trompete. Falamos sobre a biografia de Howard Garnder (1943 - ). O que mais me chamou a atenção foi o seu currículo que possui 86 páginas! Nós acabamos esquecendo de falar na apresentação, mas Bruner influenciou Gardner.
Apresentamos algumas de suas obras, sendo que o livro que mais utilizamos para a apresentação foi Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Eu diria que o conceito mais importante na teoria de Gardner é a inteligência: como ele mesmo define "Capacidade de resolver problemas ou de elaborar produtos que sejam valorizados em um ou mais ambientes culturais comunitários." (GARDNER, 1995, p. 13). Para Gardner, a escola é centrada no aluno e deve considerar uma visão multifacetada da inteligência.
Sobre o aluno, "Por causa de suas origens biológicas e culturais, histórias pessoais e experiências idiossincráticas, os estudantes não chegam à escola como tábulas rasas nem como indivíduos que possam ser alinhados unidimensionalmente." (ILLERIS, 2013, p.128).
Sobre o professor, ele deve buscar usar abordagens pedagógicas diferentes para alcançar mais estudantes de maneira mais efetiva. Tem-se um novo conjunto de papéis para os educadores (GARDNER, 1995, p. 16) “Especialistas em avaliação”, “Agente do currículo para o aluno”, “Agente da escola-comunidade" E "na verdade, estes papéis deveriam liberar os professores para focalizarem seu próprio assunto e o apresentarem da maneira com a qual se sentem mais à vontade, à luz de suas próprias forças intelectuais. Eu visualizo um papel especial para os professores-mestres, o de assegurar que as necessidades possivelmente idiossincráticas de cada aluno sejam bem atendidas pelos especialistas e agentes encarregados das recomendações educacionais." (GARDNER, 1995, p. 67-68)
Gardner desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas, à luz da sua insatisfação com os teste de QI, que mediam a inteligência, valendo-se somente da inteligência linguística e lógico-matemática. "Da minha perspectiva, a essência da teoria é respeitar as muitas diferenças entre as pessoas, as múltiplas variações em suas maneiras de aprender, os vários modos pelos quais elas podem ser avaliadas, e o número quase infinito de maneiras pelas quais elas podem deixar uma marca no mundo." Além disso, inserido num grupo de pesquisa, investigou várias crianças, normais, prodígios, idiotas sábios, crianças autistas, crianças com dificuldades de aprendizagem. Mediante este estudo, elencou 7 inteligências, mas ele mesmo disse que essa era uma lista preliminar e que cada forma de inteligência pode ser subdividida, ou a lista pode ser reorganizada. Cada competência é relativamente independente das outras. As sete: linguística, lógico-matemática, musical, espacial, corporal-cinestésica, interpessoal e intrapessoal. Além dessas, ainda há discussão sobre a naturalista, a filosófica (existencial e espiritual) e a pictórica.
A inteligência pictórica eu desconhecia, então pesquisando, encontrei que a Inteligência pictórica é caracterizada pela habilidade de expressar ideias por meio do desenho. É a capacidade de representação pelo desenho e extrema sensibilidade pela pintura. São pessoas que criam personagens que falam por si mesmo, sem ter necessidade de dizer nenhuma palavra.
Para introduzir a discussão das inteligências múltiplas em sala de aula mostramos um vídeo do Chico Bento:
Discursamos sobre a aplicação da teoria das Inteligências Múltiplas (IM) em sala de aula. Lembrando que Gardner não propõe um método para usar as IM, mas pensamos em algumas formas de usá-la: por meio de atividades interdisciplinares, paródias, teatros, trabalhos em equipe, trabalhos individuais, autoavaliação... Comentamos que o professor pode buscar maneiras diferenciadas de apresentar o conteúdo, afinal todos não aprendem da mesma forma, e também o professor pode propor atividades diversas para seus alunos. Por exemplo, o professor pode ensinar determinado conteúdo fazendo uma paródia, ou pode solicitar aos alunos que como atividade façam uma paródia do conteúdo. Quanto ao ensino de Matemática, algumas formas de usar as IM, seria trabalhar com a relação da natureza com a Matemática (fractais, por exemplo), relação da arquitetura com a Matemática (o número áureo no Partenon), construir maquetes, relação da música com a Matemática (o tempo das notas), Modelagem Matemática, história da Matemática (como Gauss somou os números de 1 a 100)...
Na própria apresentação tentamos englobar algumas das inteligências: a musical, colocando música nos slides, a espacial, apresentando os slides de forma dinâmica e um vídeo, linguística, contando a história da Melissa, interpessoal, o trabalho que fizemos em equipe, intrapessoal, a capacidade de conhecer minhas limitações/potencialidades para a apresentação. O próprio diário de bordo é uma maneira de desenvolver a inteligência intrapessoal, assim como a autoavaliação no final da disciplina.
E quem apareceu de novo? A garotinha Melissa, que acreditando ter alguma esperança para o seu caso de burrice, pesquisou no Google: fiz um teste de QI e sou burra, e agora? Ela encontrou um site que fala sobre Howard Gardner e as inteligências múltiplas. Feliz, ela encontrou um teste para descobrir qual inteligência ela tinha mais desenvolvida, e seu resultado foi a musical.
Achei que o tempo passou muito rápido durante a apresentação! Infelizmente não sobrou tempo para a turma fazer o teste junto com a Melissa e comentar seus resultados e também para discutir sobre como usar a teoria das IM em sala de aula ou como já usam.
Referências
BESSA, Valéria da Hora. Teorias da Aprendizagem. 2 ed. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2011.
GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas: a teoria na prática . Porto Alegre: Artmed, 1995.
GARDNER, Howard. Inteligência: Um Conceito Reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.
ILLERIS, Knud. Teorias Contemporâneas de Aprendizagem. Porto Alegre: Penso, 2013.
NOGUEIRA, Clélia Maria Ignatius. As teorias de aprendizagem e suas implicações no ensino de Matemática. (2007) In: Acta Sci. Human Soc. Sci. Maringá, v. 29, n. 1, p. 83-92, 2007. Disponível em: <http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=307324783012> Acesso em 24 set. 2015
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